Terça, 23 Janeiro 2018 11:47

Escorpiões viram "praga constante" em bairros e fazem vítima

Escrito por CGNews
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O número de pessoas picadas por escorpião em Campo Grande cresceu nos últimos três anos. Segundo o Civitox (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica), somente em 2017 foram 211 pessoas feridas pelo aracnídeo na cidade, todas elas receberam socorro em tempo hábil de recuperar-se.

Embora não exista mapeamento sobre os locais onde a maior parte desses incidentes aconteceram, sabe-se que a região centro-sul da Capital tem a maior presença desses animais segundo a farmacêutica do Civitox, Flavia Luiza Almeida Lopes. Um exemplo é o Buriti, onde terrenos baldios com acúmulo de lixo e entulho em várias ruas fazem com que a praga seja permanente. Foi nesse bairro onde a empresária Gyovanna Carolina Borges foi picada por um escorpião no último domingo.

O aracnídeo havia sorrateiramente entrado dentro de uma calça e quando ela foi vesti-la, sentiu a ferroada. “Em segundos estava com uma dor insuportável e não conseguia ficar em pé. Foi quando tirei a peça de roupa correndo e vi que se tratava de um escorpião. Meu irmão matou, colocou dentro de um potinho e fomos para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento)”, relata.

Gyovanna conta que ao chegar à unidade de saúde já estava sem ar. “Era uma dor indescritível. Achei que ia morrer. Sentia como se minha perna estivesse em carne viva”, lembra a empresária.

 

Medo constante – A professora Angelica Loureiro, 45 anos, mora no Buriti e costuma tomar alguns cuidados caseiros para evitar escorpiões na residência, como jogar água sanitária e produtos de limpeza concentrados nos ralos.

Porém, ela ficou dez dias fora e ao voltar, encontrou o imóvel infestado.

“No sábado estávamos em frente de casa e meu marido foi ao banheiro. Quando ele estava saindo, viu um encostado na porta”, relata.

Ketelyn Duarte, 20 anos, trabalha como tosadora de animais em um pet shop no Buriti. Nas últimas semanas quatro escorpiões apareceram no local. “Eles vêm do ralo onde nós jogamos sujeira e a água após os banhos dos cães.

 

Medidas – Flávia orienta a população a comunicar imediatamente o serviço municipal de controle de vetores e animais peçonhentos ao encontrar escorpiões dentro de casa. O animal poderá ser capturado, identificado e encaminhado, pelo serviço municipal, para o Civitox para classificação do gênero e espécie.

“Ensine as crianças para que, caso encontrem um desses animais, chamem um adulto. Se a pessoa for picada, recomendamos que não amarre, não corte, não chupe, não jogue substâncias químicas no local. Evite a automedicação, mantenha-se calmo, deixe o membro picado elevado, procure atendimento médico emergencial e, se for possível, capture previamente o animal, levando-o com segurança. A evolução dos sintomas pode ocorrer rapidamente”, afirma a farmacêutica.

Alguns cuidados podem ser tomados como precaução, como manter terrenos baldios limpos, colocar barreiras de proteção nas soleiras das portas, nivelar pisos e paredes para eliminar frestas, manter as caixas de gordura e energia elétrica organizadas e em bom estado de manutenção, deixar lixeiras sempre tampadas e com sacos plásticos, procurar ir sempre calçado ao banheiro e tomar banho de chinelo, tampar ralos e pias após o uso, guardar calçados em local apropriado e olhar dentro deles sempre antes de calçá-los e não deixar as roupas de cama encostadas no chão ou nas paredes.

 “Sugerimos, para a população que, se necessário, realize o controle da oferta de alimento do escorpião, ou seja, o controle de baratas e outros insetos, com produtos cujas apresentações comerciais sejam mais seguras, ou chame um profissional para realizar o controle. Recomendamos que as pessoas alérgicas evitem manusear pesticidas. Relembramos que os escorpiões podem ficar irritados ao contato com produtos químicos, podendo sair do local onde estão abrigados e gerar acidentes”, diz Flávia.

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